A tríade dos gatilhos mentais usados pelos criminosos para roubar seus dados

A sua vida na palma da mão. Você já parou para pensar quantas transações financeiras realiza diariamente? E quantas vezes você está em contato com alguma rede social? Já parou para olhar o número de fotos armazenadas em seus dispositivos com informações de locais onde passou, pessoas com quem está se relacionando, geolocalização marcada em algum post? Não? Sugiro fazer esse exercício rápido em sua memória (e não é a digital).

Segundo dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, realizada em parceria com a consultoria Deloitte, as transações bancárias feitas por pessoas físicas pelos canais digitais –internet e mobile banking– foram responsáveis por 74% das operações em abril, um mês após o início da quarentena e das medidas de  isolamento social. Os smatphones representaram 67% das transações analisadas naquele mês. E era só o começo da pandemia.

De acordo com um estudo da Kaspersky, que utiliza a tecnologia de prevenção à fraude , revela que os crimes dessa categoria aumentaram 20 pontos percentuais em 2020. No ano anterior, o account takeover (roubo de contas digitais) havia representado pouco mais de um terço (34%) das transações fraudulentas em nível global e esta parcela subiu para mais da metade (54%) em 2020.

O Poder do Hábito

Recentemente, o Banco Central lançou uma nova modalidade de transação financeira, o PIX. E, em breve, anunciará o Open Banking, sistema de transações financeiras de forma que consegue compartilhar seus dados. Isso, de fato, muda a maneira como devemos entender sobre privacidade e proteção de dados.

Se você ainda não entendeu isso, pode ter certeza, será vitima mais cedo ou mais tarde de um criminoso digital que o está seguindo. E acredite. Ele não está fazendo isso porque é seu fã nas redes sociais. Na segunda metade de janeiro, o Brasil sofreu o maior vazamento da sua história: mais de 233 milhões de registros na Dark Web, fruto de investigação corrente pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados e autoridades.

Partindo dessas informações, segurança e privacidade deve ser encarada pela sociedade – você mesmo – como um hábito. Como a sua higiene pessoal diária. Inicialmente, vai uma dica de ouro: não compartilhe sua senha ou empreste.

Afinal, você empresta a sua escova de dentes? Espero que não. A higiene de segurança reduz muito a chance de seus dados serem roubados ou você pagar um boleto enviado por um estelionatário. Portanto, “Pare. Pense e Olhe”. Essa é a campanha de Segurança Digital lançada pelo Bradesco aos seus correntistas.

Educação digital

Se você precisa entender que segurança digital é um hábito, certamente as ferramentas usadas pelos criminosos digitais terão menos impacto na sua vida (medo, ganância e desconhecimento). E isso, muitas empresas já entenderam. Não adianta investir milhões em segurança que a entrada é fraca. Essa máxima foi empregada nesta quinta-feira (25/02), durante a live “Educação Digital em Tempos de PIX e Open Banking“ realizada pela FEBRABAN.


Uma rica discussão, com dicas sobre o tema, reunindo Carlos Brandt, Chefe Adjunto de Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central; Alê Borba, especialista de Segurança da Informação do Google; Bruno Fonseca, Superintendente Executivo de Prevenção a Fraudes do Bradesco e membro da Comissão Executiva de Prevenção a Fraudes da FEBRABAN.

“Os fraudadores usam um termo técnico chamado engenharia social e aproveitam o momento que a pessoa está desatenta ou vulnerável emocionalmente para entrar em ação, seja por meio de uma ligação ou convidando a vítima a ganhar mais dinheiro ou, ainda, se passando por um agente do banco, por exemplo. Então, imagine que você quer comprar uma TV, faz uma busca nos sites e coincidentemente recebe um e-mail com uma promoção muito abaixo do valor de mercado. A página parece ser daquela loja, tudo ok para seguir em frente, emitir o boleto e pagar”, observa Bruno Fonseca, Superintendente Executivo de Prevenção a Fraudes do Bradesco e membro da Comissão Executiva de Prevenção a Fraudes da FEBRABAN.

Naquele momento, você não observou se aquele cadeadinho de segurança do site apareceu, se havia o cadeado, mas não estava fechado, se havia erros ortográficos naquela tela igualzinha da loja.

Fonseca alerta que é preciso usar todos os recursos de proteção de senhas, por exemplo, além de cuidados, atenção com as mensagens e até ligações de centrais de banco, porque criam uma situação real quando não é, usando o medo, ganância ou desconhecimento de uma nova tecnologia, como foi o PIX, para concretizar o golpe.

Sua vida na palma da mão: proteja-se!

Qual o risco de você ser assaltado ou sequestrado se for pagar uma conta no banco ou casa lotérica ou ainda, andar com uma grande quantia de dinheiro pela rua, todos os cartões de banco com as senhas anotadas na carteira? E nos meios digitais?

As empresas cada vez mais utilizam tecnologias com inteligência artificial, automação de segurança da informação, monitoramento de dados ininterruptamente. No outro lado está você. Da mesma forma deve se prevenir porque a vida tende a ser cada vez mais digital. O home office que o diga.

Aqui algumas das recomendações de Fonseca, da Febraban durante a live.

1. Vai comprar na internet, observe se o site tem o cadeado de segurança. Em todos os sites seguros aparece o mesmo cadeado e se você clicar sobre ele, vai aparecer um certificado de segurança.

2. Quanto mais senhas, mais difícil é de guardá-las na memória. Nem pense em anotar, colocar data de aniversário, número de celular, iniciais dos nomes da família ou coisas óbvias sobre sua vida.

3. Use gerenciadores de senhas. Há vários gratuitos que você pode adotar. Basta uma breve pesquisa na internet.

4. Guarde suas senhas num cofre de senhas. Também há aplicações gratuitas na Internet.

 5. Todo mundo tem um token de banco. Quando você entra com o número de sua agência e conta, na hora de executar o pagamento, há um código de verificação. Isso se chama duplo fator de autenticação. Use e abuse. Todas as aplicações de dispositivos móveis, e-mails, apps de conversas, etc. possuem. Vá em configurações e sempre procure por segurança ou privacidade. Assim, os golpistas até podem pegar sua senha, mas não conseguem seus dados porque há uma segunda camada de segurança.

E lembre-se: se sua mãe enviar mensagem pedindo dinheiro ou alguém ligar para você dizendo que sequestrou seu filho: CERTIFIQUE-SE. Não entre em pânico. E não pague resgates.

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