Maria Pilar Torres Bruna, everis: segurança é paixão

Por seu trabalho como responsável pela área de cibersegurança na everis América Latina, María Pilar Torres Bruna foi eleita como uma das 50 mulheres mais influentes em cibersegurança na região, de acordo com a iniciativa “Top Women in Cybersecurity, Latin America 2021”.

O evento é organizado pela WOMCY, uma organização sem fins lucrativos formada por mulheres com foco no desenvolvimento da cibersegurança na América Latina, e pela WISECRA, Women in Security & Resilience Alliance. Ao premiar lideranças femininas na área de cibersegurança, a eleição tem como objetivo diminuir a desigualdade de gênero no setor, promovendo maior diversidade na indústria de tecnologia – além de destacar os melhores trabalhos das premiadas.

A pandemia de COVID-19 aumentou muito a necessidade de melhorar a cibersegurança, fruto do processo de digitalização que se tornou cada vez mais urgente. Como resultado, as organizações estão buscando ampliar o número de especialistas em cibersegurança no curto prazo, enquanto as desigualdades de gênero ainda prevalecem neste ambiente.

Por isso, a nomeação de María Pilar, da equipe everis América Latina, é celebrada pela consultoria por contar com uma das especialistas que mais evoluiu no setor, liderando o caminho para as futuras gerações de profissionais e iniciando importantes desenvolvimentos que beneficiam a cibernética como um todo.

O SocialSec a entrevistou a Top Women sobre a sua trajetória profissional e destaca:

“A cibersegurança é mais uma paixão do que uma profissão. As mulheres que se sentem apaixonadas pela cibersegurança devem persegui-la.”

Trabalho na everis há 17 anos, embora quando cheguei não se chamasse everis mas DMR Consulting. Cresci como desenvolvedora, trabalhando principalmente para clientes do etor Público. Me interessei pela cibersegurança e as preocupações que os clientes têm nesta área. A partir daí mudei a minha carreira para crescer nesta área. Juntamente com um colega, trabalhamos na montagem de uma área de cibersegurança para a empresa que estivesse alinhada com as outras áreas tecnológicas e as necessidades de segurança que têm. Começamos com um enfoque na Europa, mas pouco depois mudamos o foco para a América Latina. Assim, criamos equipes na Colômbia, Brasil, Peru, Chile e México. Posso dizer que tem sido uma jornada espetacular de muita aprendizagem.

Quais foram os maiores desafios na profissão enquanto mulher?

Nesse aspecto, considero-me sortuda. Dentro da everis nunca senti qualquer tipo de diferença de tratamento entre mim e outros colegas. A forma como minhas ideias e propostas são recebidas sempre se baseou na qualidade delas, se eram boas ou não, e não no fato de eu ser mulher. O ritmo da carreira na empresa depende muito do empregado, o que lhe permite acelerar em momentos em que pode concentrar-se na sua carreira e diminuir, em momentos em que precisa de se concentrar em outras áreas da sua vida. 

Mas também há desafios fora da everis, e é verdade que no meu âmbito sempre há pessoas que se surpreendem com o meu ritmo de viagens profissionais. Perguntam-lhe como eu faço e se não tenho medo. Para mim, é interessante ser um exemplo que outras podem ter como referência.

Quais foram as suas maiores conquistas?

Considero que a minha maior realização foi promover a área da cibersegurança, mesmo quando não havia nem 10 pessoas na everis a fazê-lo. Pouco a pouco fomos crescendo e alinhando os nossos serviços com as necessidades dos nossos clientes e os produtos que sempre geramos para eles. Liderar esta área na América Latina tem sido e continua a ser uma grande tarefa, mas o mercado está nos colocando no nosso lugar; ninguém mais duvida da importância da cibersegurança. Recentemente, a área de cibersegurança foi colocada na área da Tecnologia Digital dentro da everis e estamos crescendo num ritmo excelente.  Isto é acompanhado de muitas outras realizações: projetos realizados com recomendações de segurança, maior segurança nos clientes; mas, para mim, o mais importante é que há muito talento, muita gente formada e se formando nesta área.

O que você remete ao fato de ter conquistado o prêmio Top Women?

Gostei muito do reconhecimento e do seu significado. Embora eu tenha excelentes mulheres na equipe, o porcentual de homens é ainda mais elevado. Gosto da ideia de que as mulheres jovens podem ser inspiradas por esta lista de mulheres que chegam ao topo, e que, se elas gostam da área de cibersegurança, que não tenham dúvidas de que podem entrar e dedicar-se a ela.

O que você recomendaria para as novas gerações de mulheres em TI e cibersegurança?

A minha primeira recomendação é que as mulheres tirem, se é que têm, a ideia errada de que a tecnologia é um assunto difícil e que não é para elas. A informática e a cibersegurança estão ao alcance de qualquer pessoa que se queira dedicar a elas. Para mim, de fato, esta é a mensagem-chave. A cibersegurança é mais uma paixão do que uma profissão. As mulheres que se sentem apaixonadas pela cibersegurança devem persegui-la. Aconselho-as que sejam corajosas e a assumam riscos, pois é também da responsabilidade de todos trabalharem para estar onde querem estar. Este mundo está se tornando cada vez mais competitivo e é raro que alguém seja assuma uma posição sem ter provado que pode estar lá.

O que a iniciativa privada tem feito para aumentar o volume de contratações femininas, na sua opinião? E o que poderia melhorar?

O sector privado está consciente da necessidade de ter mais mulheres em todas as áreas, e está implementando muitas ações para promover e aumentar a participação feminina. Ações como a aproximação da tecnologia às mulheres mais jovens. Muitas empresas já têm um grupo interno para isso, por exemplo; ou ações particulares para alinhar a vida pessoal e profissional em momentos chave da vida das mulheres, quando há um claro foco fora do escritório.

E com tudo isto, estamos vendo avanços. Por exemplo, já há muitas mulheres em cargos executivos e de gestão de grande relevância.  No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer em termos de equilíbrio entre a vida profissional e a vida privada, que é um foco em muitos programas de retenção de talentos.

Como você vê o papel da WOMCY nesse cenário de mulheres em cibersegurança?

Hoje em dia, o papel da WOMCY é importante porque leva a cibersegurança às mulheres.  É dirigido por mulheres que são verdadeiros modelos e inspiração para todas. Tenho a certeza que muitas jovens mulheres escolhem esta área para o seu futuro graças a elas.  E também contribuem para aumentar a consciência sobre a importância da cibersegurança na América Latina, o que contribui para aumentar a resiliência das organizações. O papel da WOMCY é fundamental e deve ser valorizado. 

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