Entenda o golpe de empréstimo pelo WhatsApp e o que pode fazer para se proteger

*Por Valéria Cheque

Os golpes de empréstimo pelo WhatsApp crescem diariamente pela facilidade que os fraudadores têm em relação ao processo de ativação de um chip a partir de um número de telefone. Com algumas informações fornecidas pela própria vítima, não é preciso muito esforço para o criminoso sequestrar a linha e acessar as contas da vítima, transformando seus contatos em vítimas para a prática do estelionato.

Como funciona o golpe de empréstimo pelo WhatsApp?

SIM Swap é o “sequestro” do número do celular ou da linha telefônica”, pois com o SIM Swap, se alguém ligar para a vítima irá ligar no aparelho do criminoso, e a vítima só consegue recuperar a linha indo até uma loja da operadora e habilitando o número dela em outro SIM Card (chip). Mas não deixa de ser um processo legítimo da operadora, pois quando um cliente perde ou tem o celular furtado ou roubado, ele pode entrar em contato com as operadoras para tentar recuperar o número que estava no chip que foi levado junto.

E aproveitando dessa possibilidade os criminosos agem da seguinte forma:

  1. Os fraudadores entram em contato com a operadora se passando pela vítima;
  2. Fornecem as informações coletadas anteriormente;
  3. A operadora ativa o novo chip com o número da vítima, invalidando o anterior (deixando o SIM Card sem sinal);
  4. O criminoso, então, tem acesso às ligações e SMS que o número da vítima recebe;
  5. Ele instala e configura o WhatsApp normalmente.


Se acaso você já precisou instalar o WhatsApp em outro aparelho móvel, sabe que o processo é simples. Algumas informações já são baixadas, como os grupos que o usuário faz parte, bem como seus contatos. Outra forma comum do  “Sequestro do WhatsApp” onde somente ele é “roubado” o criminoso tenta ativar o aplicativo em outro celular e a vítima vai receber um SMS com um código de acesso, que permite essa alteração, se a vítima passar esse código para o criminoso ela perde o WhatsApp. Esse é um golpe de Engenharia Social.

Ação dos criminosos:

Nas duas formas, o criminoso, já em posse do WhatsApp da vítima, analisará o comportamento de seus contatos e cedo ou tarde, alguém acabará enviando uma mensagem para o seu número ou para os grupos com informações que podem ser preciosas para o fraudador usar contra a vítima (seu contato) mesmo sem conhecê-la.

Com o número de telefone da vítima e, se ele souber o e-mail da pessoa também, é simples solicitar uma recuperação de senha. Isso pode dar acesso ao backup das conversas no Google Drive. Com esse backup, o trabalho fica mais fácil ainda. É só observar os contatos e as conversas e escolher a quem pedir o falso empréstimo pelo WhatsApp. Geralmente, o fraudador se passa pela vítima, diz que aconteceu algo inesperado, ficou sem acesso ao banco e/ou precisa fazer um pagamento urgente.  Essa é a forma mais comum do fraudador agir.

Como proteger o WhatsApp contra clonagem?

Há algumas dicas para evitar que seu WhatsApp seja “sequestrado” e seus contatos se tornarem vítimas de estelionato:

#Ficadica: Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp:

Para melhorar a segurança de seus usuários, o WhatsApp conta com um recurso chamado “verificação em duas etapas”. A funcionalidade permite que você cadastre uma senha extra para que o mensageiro funcione em outros dispositivos. 

Se você quiser ativar o serviço, siga as seguintes etapas:

1. Acesse o WhatsApp > Clique no menu representado pelos três pontinhos no canto superior direito do app;
2. Selecione o botão “Configurações” (Android) “Ajustes” (IOS);
3.    Acesse a opção “Conta” > Clique em “verificação em duas etapas” e depois em “ativar”. Nesse momento, o aplicativo solicitará a criação de uma senha numérica, que deverá ser digitada quando o app for utilizado em outro smartphone.

Atenção: o WhatsApp pode pedir para adicionar um e-mail de recuperação caso esqueça você o código. É extremamente importante que esse e-mail também esteja protegido pela verificação em duas etapas que não seja via SMS.

  • Desconfie sempre

A principal forma de coleta de dados pelos criminosos é o phishing — aquelas propagandas imperdíveis, chantagens e persuasões. Desconfie de tudo, principalmente do que chega até você via fontes desconhecidas por e-mail, SMS e/ou mensageiros.

Tipos de iscas:

Alguns criminosos fazem a abordagem por intermédio de uma ligação efetuada no celular da vítima se fazendo passar por assessor de algum famoso o usando de “isca”. Neste caso, o fraudador estudará quem o famoso segue, para que a futura vítima se sinta confortável em confiar via SMS esse encontro, festa e até Lives por conta do seu aumento na pandemia. Ao clicar na confirmação exigida pelo fraudador, a vítima libera o código de acesso de seu dispositivo móvel facilitando o “sequestro” ao criminoso.

Outra forma que vem crescendo é quando a vítima anuncia num site de compras um produto e quase que imediato, alguém o procura perguntando sobre a oferta e pedindo para confirmar a venda pelo código enviado via SMS ou email.

Lembre-se: Não existe almoço grátis, ainda mais na internet.

  • Preste atenção aos sinais

Se acontecer de o seu chip ser sequestrado, o seu celular não terá mais sinal para fazer ligações ou acessar a Internet. Se estiver sem conexão da operadora por muito tempo, pesquise se os serviços da empresa caíram ou ligue para a central de atendimento para relatar o possível crime e pedir que sua linha seja bloqueada temporariamente por no mínimo 24 horas, para que o criminoso pare de ter acesso e fazer novas vitimas se passando por você e pedindo empréstimo em seu nome.

É muito importante salientar que por conta da pandemia do Covid 19 a orientação adequada é fazer um BO online caso você tenha sido vítima e dado dinheiro ao criminoso pensando ser seu amigo.

Se acaso recebeu uma mensagem de um “amigo” lhe pedindo dinheiro, tente contactá-lo via telefone ou outro meio. NUNCA deposite sem conversar com seu amigo por voz, vídeo ou pessoalmente, pois embora ele mesmo tenha te colocado numa fria por descuido, dificilmente ele irá cobrir seu prejuízo.

Portanto, como bem diz o velho ditado: Amigos amigos, negócios à parte.

  • Fique atento aos golpes

Todos os dias são criados diversos golpes que circulam pelo WhatsApp. Os mais comuns envolvem promoções e prêmios, que fazem milhares de vítimas em todo o mundo. Desconfie sempre dessas mensagens ”vantajosas” e não clique nos links, que podem ser a porta de entrada para a invasão do seu computador ou smartphone.

  • Mantenha seu WhatsApp sempre atualizado.

* Valéria Cheque é Advogada no Brasil, Chicago (EUA) e Portugal,  professora universitária, Membro Especial da Chicago Bar Association (EUA); Oradora Convidada do Young Lawyers Cyber Meeting, pelo Conselho Regional de Évora, Portugal,   Líder Brasil do WOMCY Legal – Latam Women in Cybersecurity e Membro da Digital Law Academy: Innovation, High Technology, Cooperation, Privacy, Artificial Intelligence, Ethics and IoT. Valeria Cheque é especialista em direito digital e compliance e tem se destacado no combate ao Cibercrime, Violência Virtual e Fake News.

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