Virtualização das empresas levou ao aumento de ataques cibernéticos

A pandemia do Corona vírus modificou o modus operandi das corporações no Brasil e no mundo, levando empresas a repensar a forma de relacionamento com clientes e cadeia produtiva. Para seguirem funcionando nesse período de isolamento social, a saída para muitas companhias foi virtualizar ambientes e adotar modelos operacionais descentralizados, baseados em cloud e plataformas de colaboração.

Mas, com o crescimento do home office, veio o grande desafio de garantir a proteção de dados, que saíram do ambiente controlado das redes corporativas, e passaram a ser acessados em conexões domésticas, nem sempre suficientemente confiáveis.

Segundo o analista do IDC, Luiz Monteiro, o atual cenário acelerou a modernização da TI, especialmente os sistemas colaborativos, as soluções de armazenamento e tráfego de dados e a cibersegurança. Monteiro ressalta que a tendência é, mesmo após a flexibilização, boa parte das companhias manterem funcionários trabalhando em casa como alternativa para adaptação ao novo normal e também para reduzir custos com infraestrutura física.

Ele alerta, no entanto, que o panorama de ameaças cresce com a virtualização das operações, o que abre novas oportunidades para alinhar estratégias digitais ao momento em que o nível de exposição se multiplicou com o aumento das atividades remotas.

Pesquisa apresentada pelo analista do IDC, realizada com empresas brasileiras, aponta que 27% dos entrevistados prioriza a adoção de soluções de segurança específicas para proteger informações críticas e confidenciais. A virtualização dos ambientes corporativos ainda faz crescer a busca por soluções inovadoras, que também aumentem a produtividade e tornem as corporações mais competitivas.

Pandemia cibernética

Claudio Bannwart, Country Manager Brazil da Check Point, vai além e chama atenção para a “pandemia cibernética”, que vem ganhando espaço com o aumento das atividades conectadas. Ele relata que o Corona vírus favoreceu golpes na internet, especialmente phishing, o que pode colocar em risco dados empresariais acessados a partir de redes pessoais.

Bannwart revela que seus cientes vêm sofrendo um aumento considerável de ataques e fraudes, o que aumenta a necessidade de lançar um olhar especial sobre a nuvem, onde a proteção precisa ser redobrada, com recursos cada vez mais sofisticados. “A proximidade cibernética é inversamente proporcional ao distanciamento social. Nesse cenário, novos malwares surgem todos os dias e podem se multiplicar em segundos, de forma simultânea em diferentes redes e dispositivos”, explica.

De acordo com o executivo, a melhor forma de controle é a prevenção, por meio de aplicações robustas de proteção de dados. Ele acrescenta que essa “higiene cibernética” inclui a conscientizando dos usuários, uma vez que os phishings podem levar pessoas a instalar aplicativos que permitem invasões, expondo vulnerabilidades nas redes das empresas. “Equipamentos conectados com tecnologias de IoT também são portas abertas para ataques remotos e merecem ser contemplados nas arquiteturas de segurança”, realça Bannwart.

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