Migrar milhares de funcionários para home office a toque de caixa: desafio para a proteção de dados

O que uma empresa de energia, duas instituições financeiras e uma indústria de compressores para refrigeração têm em comum? Todas estão se reinventando na pandemia, adotando novos modelos operacionais, adequados ao distanciamento social, e reforçando estruturas de TI para se adaptar a um formato de operação mais colaborativo e conectado.

O desafio de lidar com a nova cultura de trabalho remoto levou corporações a repensarem investimentos em busca de ferramentais de colaboração mais eficientes e a garantia de ambientes seguros para operações descentralizadas.

Abilio Simeão, Manager de Cybersecurity da Brookfield Energia, João Paulo Machado Vieira, Supervisor de Infraestrutura de TI e Datacenter do Sicoob, Evandro Paulo Fandaruff, Information Technology – Information Security na Nidec Global Appliance e Felipe Soares de Deco, Head of Security, Banco Modal, participaram de painel mediado pelo Country Manager Brazil da Check Point, Claudio Bannwart, onde relataram suas experiências a partir da pandemia do corona vírus e como as companhias que representam vêm se ajustando ao momento.

Treinamento e conscientização

Com cerca de 700 agências conectadas no Paraná e mais de 2 mil espalhadas por outros 10 estados brasileiros, o Sicoob desacelerou os negócios físicos, mas ampliou o leque de operações na nuvem. A exemplo do grupo Modal, que conta com um parque tecnológico de mais de 600 servidores, por onde transitam informações críticas, a cooperativa de crédito já dispunha de uma estrutura de segurança preparada para operações on-line e a maior adaptação veio na segurança das redes colaborativas, acessadas em home office.

Os executivos de cibersegurança das duas instituições financeiras contam que foi necessário criar uma cultura de conscientização para evitar que malwares e outros aplicativos maliciosos fossem instalados pelos usuários, colocando sistemas em risco. Segundo Felipe Deco, o Banco Modal já vinha apostando em tecnologias mais inovadoras, mas precisou apressar o processo de digitalização, além de estender a plataforma de proteção para a casa dos colaboradores.

Para garantir uma padronização na forma como o funcionário interage com as plataformas do banco, foram oferecidos palestras e treinamentos para sensibilizar colaboradores, garantindo engajamento com os protocolos e aderência às melhores práticas de segurança.

Outra dificuldade foi manter a performance, uma vez que nem todos os empregados dispunham da infraestrutura necessária para trabalhar em casa. Para suportar essa mudança radical – antes da pandemia, cerca de 10% da corporação atuava remotamente, a partir de março, esse número saltou para 90% – a empresa precisou investir em licenciamentos para aplicações em cloud, especialmente para segurança e colaboração.

A Sicoob também lidou com questões emergenciais para se ajustar ao distanciamento social, entre elas migrar milhares de contas de e-mail para a nuvem. Responsável pela área de TI da cooperativa de crédito, João Paulo Vieira também precisou apostar na conscientização do usuário.  “Um dos gargalos na área de segurança com a mudança de ambiente é redesenhar a malha de PGP”, diz. Vieira acrescenta que, com a experiência, a ideia e levar em longo prazo a maior parte das operações para nuvem.

Ressignificar processos e maior uso da nuvem

Para assegurar mobilidade a mais de 3 mil colaboradores, que passaram a trabalhar remotamente, a Brooksfield precisou remanejar a gestão de dados e ampliar as soluções de segurança. Segundo o Manager de Cyber Security Abilio Simeão, para garantir um fluxo seguro de informações foi necessário ressignificar processos e adaptá-los ao cloud.

De acordo com Simeão, a mudança de cenário levou à busca por soluções embarcadas de acesso remoto ao data-center e aplicações colaborativas com maior nível de proteção. Para o sucesso dessa transformação do ambiente físico para o virtual, a opção foi adotar uma metodologia de gestão com foco no usuário.

A Nidec Global Appliance também atravessou momentos decisivos para lidar com a virtualização das operações. A empresa, que funcionava quase totalmente na forma física, incluindo a gestão de mais de 50 laboratórios de pesquisa, precisou fechar fábricas e remanejar a produção.

Para Evandro Paulo Fandaruff, que responde pela segurança das informações, a transformação digital tornou-se prioridade para a estratégia do negócio. Fandaruff revela que automatizar o chão de fábrica e vencer problemas de segurança “com os IoTs” foram os principais desafios. Para o executivo, com a automação das tarefas o cenário de risco mudou e as medidas de proteção de dados precisaram ser repensadas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *